"POEMAS"

 “O IMPREVISTO” 


O dúbio imprevisto em uma de suas faces,

de mansinho pega-nos de um jeito 

que não sabemos evitá-lo.


São lágrimas ressequidas,e até então,

apodrecidas em nossa memória. 


Uma sensação de impotência que invade nossa alma 

sem qualquer cerimônia ou permissão.

Pai de todos nossos desconfortos, 

o imprevisto não se limita por vezes em nos assustar.

Quer mais!


Cobra-nos sentimentos distantes 

onde nosso coração não mais alcança.

Traz de volta saudades já superadas 

e dores que há a muito não mais sentíamos.


Pouco importa se é tarde sombria ou noite estrelada.

Como pouco importa sua nova moradia.

Não tem limites em suas andanças à procura de novas caças.


Não há imprevisto para o já previsto 

no destino de cada um de nós.

Atemoriza a alguns e fascina a outros .


O imprevisto, com seu misterioso desfecho , 

é a trágica dinâmica da vida !






 “INÉRCIA” 


Quando vejo -te e nossos olhares se misturam,

não sei qual é o meu... qual é o teu.

Olho-te, e tamanha é minha ternura por ti

que timidamente minha visão se turva,

meus sentidos se perdem ,

minha voz se cala sem nada dizer-te!

Carrego meu corpo adormecido, em meus próprios braços...

e deito-o em um quarto qualquer .

Pela manhã ,

extasiado por tantas lembranças tuas,

desperto- me, e meus lábios impunemente só conseguem soletrar :

c o v a r d e !






“CAIS”


Não mais vou rebelar-me com tuas palavras .

Não vou desmentir teus sentimentos, tão bem maquiados em tua face.

Não, não vou alertar a outros corações

quanto ao perigo de teus desejos

tão bem disfarçados em teu sorriso.

Não mais vou enganar-me com teus beijos

com gosto de salivas de outras bocas .

Não mais quero suportar o PESO de seu corpo vazio

por sobre minha alma !

Não ! Este teu coração nem a ti pertence mais !

É de outros corações navegantes

que perdidos em alto mar,

se atracam no primeiro cais

que lhes ofereçam uma mundana morada .






"RAÍZES"


Apague a luz para espantar este teu medo.

Façamos de conta que o mundo acabou.

Os segredos da vida não mais te pertencem...e

os olhos do mundo ficaram cegos de vez !

Escolha o lençol mais puro que exista,

e cubra teu corpo, com este manto santo.

Vista em ti o mais puro pecado,

que se vê no direito de ser feliz !

Doe este teu corpo carente de colo...

e depois....

Acenda esta luz apagando de vez ,

este teu passado infeliz !






" EVIDÊNCIAS "


Tua beleza me embriaga,

Mas não te quero por tua face.


Tua aparência atormenta meus sentidos,

Mas não te quero pelo teu corpo.


Teus mistérios me angustiam,

Mas não te quero por este teu suspense.


Teu sorriso me encanta,

Mas não te quero por tua alegria.


Teu olhar me acalma,

Mas não te quero por esta paz.


Tuas mãos me seduzem,

Mas não te quero por este carinho.


Teu corpo me excita,

Mas não te quero pelo meu gozo.


Tua vida me abastece,

Mas não te quero por minha sede.


Tua voz sussurra em meus sonhos,

Mas não te quero em minhas fantasias.


Tua boca umedece meus lábios,

Mas não quero tua saliva com gosto de mel.


- Quero-te pelo que não tens a olho nu :


O TEU AMOR !








"  DEIXE-ME "


Deixe-me sonhar...

Imaginar que te tenho e que acordo ao teu lado

Quando meu corpo necessita do teu.

Deixe-me brincar de faz de contas...

Ser teu ninho, teu corpo repousante,

Abrigando teus sonhos e fantasias

Na mais louca aventura de dois corações amantes.


Deixe-me fazer parte de seus passos

Caminhar contigo aonde quer que vá.

Prometo-te jamais mudar tua estrada,

Somente estar ao teu lado

Sussurrando-te os mais lindos versos de amor.


Deixe por conta do destino, este desejo clandestino

Faça versos sem rima somente para me agradar.


Deixe-me sentir o doce agrado de teu corpo em minha poesia,ou então,


Deixe-me morrer na realidade dos seus dias.






“DE REPENTE TANTO”


Este teu amor

Me encanta tanto

No mesmo tanto

Que a outros já encantou.


Desperta-me saudades tantas

No mesmo tanto

Que em outros corações já despertou.


Este nosso amor repentino

De juras secretas,

Cenas incertas,

Se repete no mesmo tanto

Tantas outras noites tantas...

De tantos desejos,

Ao certo

Que teu corpo absorveu!


Falo do meu sentimento tanto,

Um tanto ainda sem tamanho

Esperando o tanto necessário,

Que me abrigue de verdade

No espaço tanto

De dimensão exata

Onde caiba somente o meu tanto

Em teu coração.






“MÃE”


Obrigado MÃE

Pela autorização que me deu

Permitindo que meu pequenino corpo

Repousasse em teu ventre,

Acolhendo-me do frio e da fome,

Repartindo tua noite e teu conforto ,

Como se eu fosse o único ser do mundo,

Com direito à tanta bondade.


Obrigado MÃE

Por nunca me furtar o teu seio ,

Certa de que tua vaidade escultural

Não era mais importante que as lágrimas

Que escorriam de meus inocentes olhos.


Por permitir meu descanso em teu colo já tão cansado !

Por nunca se perfumar antes de me acariciar....

Deixando -me para o resto da vida

A pureza da lembrança de suas vestes

Cheirando a gordura , sabão ... e pó.


Obrigado MÃE

Por nunca me esconder suas dificuldades,

Alertando meu espírito para as difíceis caminhadas

Que eu iria traçar.


Por me capacitar a sentir junto à minha família e meu semelhante,

A grandeza do respeito da dignidade e do amor.


Obrigado MÃE

Por ainda viver

... .eternamente em meu coração !!!






" POR AMOR''


Venha enquanto a saudade ainda nos causa dor.

Venha, pois o perdão só é eterno existindo amor.

Venha, mesmo sem jeito, pois de outro jeito não há lugar.

Venha, mesmo sem graça,

Não me faça por muito esperar.


Venha "que o tal dia" na poesia posso esquecer...

Traga um só abraço, eu nada faço para maldizer.

Venha, mesmo com medo,

Ainda é cedo,lhe ensino a sorrir...

Venha que o meu canto não traz espanto,

Não faz ferir!


Venho e trago na espera

A vontade fera de me perdoar.

Venho, mas venho com jeito e do meu defeito quero lhe falar.

Venha, traga a lembrança, te venho criança para brincar...

Trago a fantasia

Que morreu no dia

Em que eu pretendia usar.

Venha, mesmo sem grado,

Sem charme, sem prazer...

Venha matar comigo, esse seu castigo...meu!






“ PINHEIRAIS “


A escuridão invade meu peito…

E a lua,solitária a me olhar

Vai formando sombras ao meu redor.


Tento identificar-te

Em meio às sombras dos pinheirais

Em uma imagem perfeita

Que possa quietar esta louca saudade de ti.


E nessa procura profana me teso…

E o meu desejo de amor é tamanho

Que vou construindo meu castelo de sonhos

Para que possa abriga-la em meu corpo nu.


Os pirilampos invadem meu quarto,

E por sobre a cama, um lençol brilhante

Cria o meu perfeito cenário !


Recolho-me ao travesseiro e

Com a janela entre aberta adormeço

Na esperança que logo pela manhã

Todos os pássaros no mais lindo dos cantos

Venham me acordar

Anunciando tua inesperada chegada .









“NOTURNO”


É de uma dimensão tão estranha

Essa lembrança que me acompanha

Que não procuro compreende-la.

Vem em tamanho “CinemaScope”,

Ao sabor noturno de um bolero qualquer.

Whisky e Guaraná …Cuba Libre... Hi-Fi...

Que se misturam em um odor de Alfazema e Lancaster no ar.

É uma saudade marcante, uma quase dor distante

Que teima madrugadamente , assim, impunemente

Em cantar versos que me fazem dormir.

Quando se anuncia , apodera-se de meus pensamentos

E de mãos dadas adormece ao meu lado.

Essa lembrança sem tamanho

Faz-me bem..., mas por vezes me estranho...

Sinto em vão dois perfumes se beijando

Exalando imagens distantes que jamais voltarão.

Essa lembrança sem limites

É do tamanho exato deste meu coração,

Que se fez amante do tempo,

E me trai covardemente com o presente

Que teimo em não aceitar !






" VENHA "


Venha que meu colo te espera

Neste meu corpo que já te pertence

E te acolhe por noites aflitas

Sonhando acordado por sua chegada.


Venha com teus seios de menina

Que de tanto amor não mais se inclinam,

Ajustam-se com tuas mãos ferinas

No molde materno para me alimentar.


Venha sem medo...ou desesperança,

Serei teu abrigo e também criança

Para brincarmos, e, numa eterna dança...


Embalar-te em meus braços

Ao som de mim vozes de anjos!






" INSONIA "


Eu ando sonhando demasiadamente

Por sonhos que não me pertencem.

Ando sonhando erroneamente

Acreditando que minhas doces palavras

Encontrem abrigo em teu peito,

Que na verdade,

Acolhe sonhos tão diferentes

Que repousam em teu coração.

Tenho andado com muita INSÔNIA !!!

Necessito adormecer esta "tua minha" maldita insônia,

E sonhar tão somente

Sonhos comuns à tanta gente

E não me lembrar de mais nada.

...nem mesmo desta "tua minha" maldita insônia,

Que já me aguarda

Antes mesmo do meu despertar!






" DENTRO DE NÓS "


Estás tão próxima de mim e não te percebo

 E, ao não te perceber, nego o amor que tanto procuro.

 Estás tão próxima de mim e ignoro o tanto que a procuro para meus dias.

E, ao ignorar-te, mais sofro com este meu querer.

Estás tão próxima de mim e não percebo teu perfume no ar.

E ao não perceber o odor de teu corpo bailando sobre mim Distancio-me ainda mais deste teu ventre que tanto desejo.

 Estás tão próxima de mim e tão longe de minhas mãos...

E, assim, ao negar teu carinho, Mais carente de ti meu coração se sente.


Estou tão próximo de ti que não me percebes.

E, ao não me perceberes, negas o amor que tanto procuras.

Estou tão próximo de ti e ignoras o amor que tanto procuras para teus dias.

 E, ao ignorá-lo, mais sofres com esta tua procura.

Estou tão próximo de ti e não percebes meu perfume no ar.

E, ao não perceberes o odor que baila por sobre teu corpo Distancia-te ainda mais desta minha pele que tanto desejas.

Estou tão próximo de ti e tão distante de minhas mãos..

E, assim, ao negar-me teu carinho, Mais carente de mim teu coração se sente.


Estamos tão dentro de nós que não percebemos Este nosso amor em um só espírito, em um só corpo...

Em um só coração que bate por nós dois.






" CIPRESTE"

                                                                                                                                 

Na corrente de um vento

De um lado qualquer,

O odor de ciprestes

Anuncia sua chegada.

Vem assim...de repente...

No escovar de dentes,

Folheando cheques pendentes,

...em um ato de amor qualquer.

Vem assim..sem ninguém convidar-lhe.

O sonho esperado no filho do filho,

O neto querido que nunca virá.

Em uma esquina qualquer,

O juízo imbecil da imortalidade

Esfacela-se no frio chão.

O odor de ciprestes

Às vezes se reveste no cobiçado perfume

De fragrância profunda,

De uma ambição imunda

Que alguém jamais deveria usar.






"NEBULOSIDADE''


Quando vejo – te

Assim ; escura e mal humorada

Já cansada,i magino de seus dias,

Admiro tua existência.

No entarder… quando a noite ofusca meus olhos,

Pela manhã, retomo minha contemplação.


Ao balançar tua infinita pança

Por sobre as frágeis cabeças do mundo,

Sob teu véu

Estasio-me em tua beleza passageira.


Quando choras e o grau máximo de tuas lágrimas

Misturam-se aos teus gritos e relâmpagos,

Aceito o desejo frustado de não gritarmos juntos,

Assustando os fracos espíritos

Que contemplam a minha nebulosidade.






 "UMA PIPA NO AR"


Feito criança sapeca e vadia,

Tenho subido morros

Com minha máquina de "pipas" nas mãos

Sempre em busca dos melhores ventos

Que possam fazê-las voar..


Não uso cerol ou cortantes de vidro estilhaçados

Pelas rodas dos antigos bondes de minha infância.


Fiz uma "pipa " e nela coloquei nosso nome,

Mas não consigo que ela sobrevoe tua morada,

Na inocente esperança que caia em teus braços.


Resta-me tão somente,

O suave e envolvente vento

Batendo em minha face,

Trazendo de ti

Um também ardente desejo vadio

Perdido no ar.






"AMOR VIRTUAL"


De meus sonhos

As vezes me atrevo

A sonhar o "impossível".


A certeza não me encanta

E o disponível é mera procura.


Me fascina o dia a dia

Desta vigília constante

De duas almas amantes.


Dois corações

Dois corpos distantes

Que não se tocam um só instante...

Mas se amam,


Apesar da distância;


De uma forma real

Que para muitos possa parecer um sonho!






"VIDA"


Quero teus sonhos

Tuas mágoas, tuas dores.

Quero os medos que te acompanham...

Tuas tristezas e aflições.

Incerteza de tua vida,

Tua solidão a me machucar!!!

Doa-me teu desejo de amar

E reparta comigo

Tua procura de viver.

Vem, estenda tuas mãos

E acolha-me em teus braços...

Vamos unir nossos sentimentos!

Refazer nossas vidas,

Já que temos um só olhar !!!



“LUZ "


A saudade quando ainda ;


Não mede tempo.


Simplesmente acontece.


E quando acontece ...


Devora todos os conceitos.


Apodera-se de nossas almas


E se traduz num desejo louco de reviver uma antiga chama


Que à meia luz ,


Convive solitariamente


No mais profundo esconderijo de um coração !





“ANJO”


Não me importo com sorrisos e deboches.

Que me chamem de louco, alienado...sem juízo.

As chamas do inferno

Que tantas marcas deixaram em meu corpo

Hoje não mais queimam minha alma !


Com certeza , os sonhos alheios

Não possuem as mesmas cores

De minha imaginação.


Alienado, louco...sem juízo

Só porque voltei a acreditar

Em “Contos de Fadas” ?


Não quero voltar a ser adulto !


Conheci um “Anjo”

E para ele construi um Castelo para sua morada.


Que me chamem de louco, alienado...sem juízo.

Sou o dono deste pequeno Castelo

Localizado em meu peito

Onde mora este meu “Anjo”

Que reina sozinho,

O território do meu coração !





“DISTÂNCIA”


Como quero acariciar teu rosto!

Com minha língua, esculpir teus seios

E no mais demorado dos abraços

Penetrar meu coração dentro de teu peito.


Tocar tua pele morena

Com minhas mãos em traço de pena

Tatuar minha alma em teu ventre materno.

Este aconchego eterno,

Sempre a espera

Do amor mais distante!


Como dói suportar tua ausência...

Esta saudade que se apresenta

Com odor de essência de momentos guardados

Para viver ao teu lado.


Como quero fazer verdade

A insignificância da maldade


Que é ter que me contentar

Tão somente com o teu retrato.






“RECOMEÇAR”


Não me pergunte o que dirão

Os lábios distantes de meus cansados tímpanos.

O que importa é que nosso orgulho

Imbecil e incoerente, insistente em nossa vivência,

Foi derrotado infantilmente por um meigo olhar de uma inexplicável definição.

Nossos sonhos,

Não mais irão patentear-se

Em dois vultos,

Ocultos em meio à multidão.

Vamos gritar e sorrir, fazer e deixar….. lentamente

E depois dormir.

Batizar com sêmen de saudades,

O tempo esquecido

Tentando encontrar

O que nunca perdemos !






“VOZES”


Meus olhos vagueiam lentamente

Em uma procura insana

De uma voz sinistra,

Que insiste tanto em fazer-me espanto,

Quando ponho-me à noite a repousar.


A madrugada, que também não dorme,

Censura minha alma

O que me põe a caminhar.

Abro portas e janelas,

Em passos de flanela,

Tenho o cuidado com as almas adormecidas

Que não devo acordar.


O sussurro de voz acompanha-me,

E a cada passo mais assanha-se,

Apoderando-se de vez minha calma.

E como um louco, numa esquizofrenia plena,

Tua voz em imagem se apresenta...

Toma-me pelas mãos

E pela rua afora

Nos perdemos nesta clara escuridão.






“DESEJOS”


Não te prometo amor eterno,

Mas tudo farei que assim seja.


Não te prometo noites de rainha,

Mas serei um castelo para o teu abrigo.


Não te prometo o gozo de teus sonhos,

Mas entregarei meu corpo para teus desejos e fantasias.


A luz do túnel talvez eu não a tenha,

Mas manterei acesa a chama de tua procura.


Por fim,

Posso não ser o teu conto de fadas,

Mas prometo

Escrever o enredo e o final desejado

Para tua fábula de amor!






“MÃE MORENA”


Minha Mãe -Morena

Não me gerou em teu ventre,

Mas alimento-me em teus seios

Como teu filho mais desejado.


Minha Mãe- Morena

Que me pariu ao acaso,

Fez-me amante...teu caso,

Vive em um eterno resguardo

De um parto inesperado

Que o destino concebeu.


Minha Mãe- Morena

Jamais se condena :

Não tem pudor

nem pena

Deste incestuoso "caso" de amor

Que vivemos em teu quarto !







“ENCONTRO”


Te vi


E antes não tivesse acontecido.


Te vi,


E os meus olhos se curvaram a teus pés...


E como um bem-te-vi acuado,

Empoleirei–me na saudade

E cantei sufocado

Minha possíveis palavras de amor.


Te vi,


E antes não tivesse acontecido.


Te vi


... e novamente fiquei só.



S i m p l e s m e n t e - vi!






" LOUCURAS "


Ela veio de mansinho....

Estampou teus seios e,

Em garras de veludo

Aprisionou-me em teus braços!


Com teus beijos... desceu por meu ventre.


E eu,

Carente de tanta ternura

Não evitei libertar-me de tamanha doçura



Que saía como mel de seus lábios

Penetrando-me por inteiro...

Em uma mistura de amor e tortura.



“DESEJO”


Não me pergunte como surgiu.

Surgiu como do parto surge a imortalidade,

Da dúvida a procura,

Da paixão o desespero.


Não me pergunte como surgiu.

Surgiu como da pedra surge o pó,

Da saudade a espera

Do amor o afeto.


Surgiu como uma nuvem em tempestade

Enturvando meus dias me escurecendo a visão.

Surgiu... e só o imprevisto surge com tamanha impunidade.

Surgiu e meus olhos não puderam te evitar.


Surgiu assim, tão somente

Para ferir meu coração.






"MOMENTO"


Eu desejo,um momento de esperança

Um momento de certeza

Na vontade me encontrar.

Esse olhar querendo o breve,

Nega o riso, proclama greve

Faz da dor o seu lugar.

O momento, em meu peito não tem hora,

Não tem fome, faz do agora

Uma prévia do amanhã...

O cachê adiantado,

Um poema angustiado...

Uma esperança vã.

Eu queria um minuto sem segundos

De motivos tão profundos...

Tão capazes de ocultar

Esse momento vazio

Esse momento assassino,

Matar !

E depois...

Fazer do tempo uma estória,

Uma lenda , uma motivo pra sorrir.

Abraçar o que passou e num instante,

Fazer de amor este momento feliz.

Eu queria , um minuto bem amigo,

Fosse novo, fosse antigo...

Um silêncio de oração.

Juro, queria somente,

Aceitar este momento.

Perdão.





“PECADO PERFEITO”


Quero-lhe inconfessável

Aprisionada em meu peito,

Nesse meu amor de intensos desejos

...mas com tantos defeitos:

Que tenho medo de lhe afugentar .


Quero-lhe imperfeita

Refém dos seus próprios medos,

Mostrando-se insuspeita

Por pecados tão meigos ;

(...e tantas outras almas não conhecem este pecar!)


Quero-lhe, e o que faço

...se o meu "querer" é esperar,

Por este pecado perfeito

Que se esconde em nosso olhar?






“EPÍLOGO”


Aquele céu a quem pertence ?

Pela janela humilde de reboco aparente

Em seu passado grisalho... num olhar misericordioso,

Ele conta as estrelas.

Confidencia seus sentimentos

Na ilusão de que o universo está a escutar-lhe.

No lado oposto da calçada,

O outro, em uma sintonia de olhares,

Numa janela de fino algodão,

Lamenta aos céus a infelicidade de seus dias.

Dois olhares, duas almas, dois perdões, juntam-se ao infinito

Em tamanha grandeza de solidão.

Dois corpos em diferentes molduras de janelas...

Uma de reboco, a aposta em pincelas.

Epílogos da vida;

Onde a verdade e o juízo final se penitenciam

No silêncio do universo sem respostas.

Apenas dias de angústias e conceitos vazios

No abre e fecha de duas opostas tramelas.



“SENTIMENTOS”


Pequenos pedaços

que vamos deixando para trás.

Pedaços de olhar, de esperanças...

Pedaços de lágrimas.


Pedaços até mesmo,

de nossa própria metade.


A outra, onde encontrá-la?

Se a perdemos,

em outros corações

também pela metade?


Talvez nos sonhos,

que por serem sonhos,

Sequer existem

a outra metade!





“CERTEZA”


Quero-te como quero em todas as manhãs

O vento frio penetrando em meu quarto

E despertando-me em sensação de saudades.

Quero-te como quero um jardim constante

Exalando dos meus poros

O odor da vida e da perpetuidade.

Quero-te como o impossível preso em minhas mãos

Para fazer de ti o motivo eterno de meus sonhos.

Quero-te como quem quer somente para si,

O abraço maior de todas as emoções.

Quero-te assim, acordando-me sempre

Deste meu sonho, em sua breve chegada.






“SE NÃO HOUVER AMANHÃ?”


Se não houver amanhã?

Talvez tenhamos (com) vividos

Um amor pela metade

Sonhos sem (com) sequências

Mera paixão de puberdade.


Se não houver amanhã ?

Deixaremos para trás

A esperada briga caseira

A saudade primeira,

Nossos gozos secretos

Desta paixão proibida.


Quem sabe,

Um filho, ao certo,

Deixará de viver ?


Se não houver amanhã...

Teremos vividos

Em um casulo perpétuo ,

Como duas larvas,

Dois pequenos insetos

Que jamais se aventuraram a voar !!!






“ESTRADA”


Às vezes também duvido

Deste sentimento incontido

Que vaza do meu coração.

Se te causa espanto

A sonoridade de meu canto,

Não fuja, te peço...

Deste amor confesso

Que nos une tanto

Apesar do carinho distante

De nossas mãos!


Se a força de nossas palavras

Nos aproxima,

E coloca nossas almas

Em um mesmo corpo,

São frases do divino

Escritas na estrada do destino

De nós dois!






“SONHOS”


Ainda abrigo em meu peito

A emoção do nosso primeiro beijo.

Carrego as marcas de teus desejos,

Tatuadas em minha alma,

Que seguirão meus caminhos

Onde quer que eu vá!


Não guardo mágoas desse nosso amor,

Tão pouco condeno teu cárcere.

Se atraquei meu barco

Em um mar revolto

Não posso lamentar

As conseqüências da tempestade.


Sonhei,

E brutalmente fui despertado

Deste sonho acordado

Que vivi ao teu lado.






‘ENREDO”


Ansiosamente aguardo por nosso encontro.

Perfumarei meus lábios

E todos os cantos do meu corpo

Na certeza de seus beijos,

No aguardo de suas palavras.

Espero pela suavidade de suas mãos

Que perfumadas de saudades,

Irão de vez,aprisionar meus sentimentos

em seu corpo nu!!!

Vivo a loucura da espera,como a ansiedade

dos aflitos...

Vivo,simplesmente,

Pelo desfecho deste enredo.






“ÚLTIMO ATO”


Bebeu do meu vinho

Para entorpecer tua censura.

Reanimou meu corpo

Para matar teus desejos

Absorveu com meus lábios

As tuas lágrimas do olhar

E estampou o meu sorriso

Na máscara da tua tristeza.


Usou minhas palavras

Para escrever teu poema

E guardou meu retrato

Como troféu da tua aventura.


Por fim, saciado os caprichos,

Escarrou na cama

Teu último gozo possível.


Beijou-me a face

Como seu eu fosse Jesus...

Fantasiou-se diante ao espelho...

E para sempre foi embora !







"TEMPORAIS"


Sobrevivi às tempestades...

Ao céu escuro de todas as bocas

Que um dia à minha mesa se apresentaram

E saborearam de minhas palavras.


Sobrevivi aos tornados

Aos furacões impiedosos

Que cruzaram minha estrada

Empoeiraram minha visão e

Cegaram-me temporariamente

Para que eu não presenciasse

O tenebroso sorriso da falsidade.


Sobrevivi ao naufrágio

Em meu mar de lágrimas

Que por tantas noites

Inundaram meu travesseiro,

Meu amigo derradeiro,

Que me abraçava por inteiro

Tentando me escutar.


Sobrevivi, e a ninguém cobro nada...

Fui filho da tempestade

E hoje o sol é minha cara-metade

Que iluminou meus passos

Na escuridão das sombras

Que me acompanhavam.






“MEU ADORMECER”


De repente me desperto na fria madrugada

e meus lábios, semi-adormecidos,

murmuram o seu nome...

Meu coração se assanha feito criança

E começamos a brincar de não querer dormir.

Meu corpo repousado na escura solidão...arde...

E minhas mãos, trêmulas de desejo,

Procuram em vão, lhe tocar.

Apenas "ecos" de sua doce voz

parecem vir por debaixo dos lençóis

me chamando de AMOR.

Abraço-me ao travesseiro e adormeço.

Adormeço sempre

para quietar esta louca saudade

Que pela manhã

Se encarrega de me acordar!!!






“SONHO DE CRISTAL“


Em teu sonho mulher

Vestiu-se a menina...

Fez de um vulto qualquer

Teu gemido de dor.


Envolveu-se

Em mais uma louca aventura,

...sussurros de vozes ,

De um coração que mal sequer !


Entre bocas cerradas

Uma soma de gemidos se fez ,

Encarcerando tua louca procura

Em um suposto talvez.


Ao sabor das contrações noturnas ,

Duas almas cobriam

Com os lençóis

Dois sonhos descobertos

Que,


Ao findar do delírio pudor ,

O sonho se tornara uma simples mancha ,

Deixada em um leito

Onde o amor se patenteou

Em mais uma marca inútil

De um gozo qualquer !





“MAR DE GUARAPARI”


Pobre mar que me assusta tanto

Quando aproximo-me de você.

E o grito feroz de suas ondas

Se cala na praia

Fulminadas por simples grãos de areia.

Pobre mar de Guarapari

Que me causa temor,

Quando à noite ponho-me a te contemplar...

E no silêncio infinito percebo

A indefesa força do homem.

Pobre mar...

Que oculta segredos e vidas distantes.

Pobre mar que me assusta tanto... tanto...

Mas nem tanto, pobre mar

Quanto a pequenos traços de água,

De idêntico sabor

Que correm pelas faces de uma determinada mulher.






"TAQUICARDIA“

Minha taquicardia


A cada dia


Pior fica.


E quanto pior


Melhor eu fico.


Quanto mais me incomoda


Mais perto


De você me sinto !





"NATAL”


Natal !

Natal de desejos....

saudades e esperanças.


Natal !

de luzes e crianças,

beijos e abraços,

sorrisos e lágrimas,

misérias e farturas.


Natal !

De rezas e vigílias,

dores e felicidades.

De lembranças e "bondades"

recordadas somente

no vermelho dos calendários de dezembro.


Meu Deus !

Que bom seria se beijos, abraços, sorrisos,

lágrimas , misérias e farturas fossem partilhas,

e calendários não existissem.

Se todos os dias fossem Natais de verdade.

Nos corações de todas as vidas.






" TALVEZ "


Talvez sim,seja nosso amor de pedra :

Insensível,bruto e tão comum aos olhares de transeuntes.

Talvez de gelo :

Frio.., guardado somente para ocasiões especiais.


Quem sabe falso, como a palavra dos hipócritas

E o juramento dos oportunistas ?

Talvez verdadeiro como a utopia dos poetas

E a surpresa do imprevisto.


Nosso amor tão complicado

Talvez seja palavras de adúlteros: sou inocente

…também te quero !






“INCRÉDULO”


Tenho o ímpeto de meus gritos,

Mas tenho medo que alguém me escute.

Trago-te o mais lindo dos meus desejos,

Mas tenho dúvidas de nosso gozo,

Levo-te a mais linda das poesias,

Mas tenho receio que não te agrade.

Venho só, desprovido de minha sombra,

Mas tenho suspeita do pôr-do-sol.

Venho-te por inteiro !

E se você vier pela metade?



“ADEUS”


Fechou-se a cancela.

Para trás ficaram Espinhos e flores,

Acertos e dores Sorrisos e mágoas Caminhos e trevas.

Para trás ficou Um corpo ferido

Com salivas de amor Num gosto de fel.



“TEU AMOR” 


Teu carinho tolo

Que se fez de bobo Em nossa existência,

Foi sinônimo de amargor

Na saliva de tua boca.

Beijos de mentira

Em um corpo chamado amor! 



 "BATONS"


De todos os sabores que com você experimentei: morango, cereja, uva, tutti frutti , saliva...framboesa...

não encontrei melhor sabor que sua insaciável língua,

a percorrer o céu de minha boca,

para matar toda esta sede de amor dos nossos lábios... nossas gargantas !



“O DEPOIS” 


O depois... é o sempre tarde para se olhar para trás.

É o arrepender-se: mas ter que ficar sozinho.

É uma rua sem saída.

O abraço esquecido... o beijo sem saliva... de um amor mal vivido,

em uma cama ocupada por dois corpos ausentes.

É uma reza sem fé, espalhando fé para todos os lados!

O depois: é o imbecil desconhecimento que o hoje pode ser o depois,

que nunca mais viveremos.

E depois?





" ALGEMAS " 


Seu corpo moreno e traiçoeiro, 

Quando se une a minha pele, 

Transforma minha cor. Minha cor neve e amena, 

Quando se mistura ao seu corpo, 

Transforma em aquarela Nosso momento de amor ! 

Nossas almas,

 Eterna loucura Indiferentes às nossas cores,

 Como duas algemas, Nos prendem aos pecados da traição. 

 Somente sentem O gozo que não tem cor.



 “ESPUMA”


 Quando penso Em saborear o último gole de minha cerveja, 

Inesperadamente 

Me vem a lembrança de você, E meus lábios na ânsia de seu sabor

 Se molham na pronúncia de seu nome. 

Mais uma vez, Retorno ao primeiro copo... 

E assim despercebidamente,

 Minha saudade vai mergulhando Na espuma amarga 

 De mais um inesperado porre.



  " IMPOSSÍVEL"

 

 Enquanto acariciava teus seios 

E meus dedos rodopiavam

 Por sobre a verruga maior do teu corpo, 

Um vulcão de lavas Em erupção impossível

 Petrificava-se em meu interior.



 " VOCÊ "


 Que sentimento é este que apodera-se do meu corpo,

 e inquieta minha alma já pela manhã ?

 Que desejo solitário é este que adormece em meu ventre paterno 

fazendo-me acreditar neste seu pretenso amor ?

 Que saudade tamanha a é esta , que agasalha-se em meu órgão quando num banho de espuma,

 deslizo minhas mãos e me delicio com o êxtase maior das emoções ?

 Que necessidade covarde sua, afinal foi esta ,

 de tatuar tantos desejos em meu coração ? 



 "UM POEMA DE AMOR" 


    TE AMO ! ! !






“TEU VAZIO”


 Esqueça os êxtases e delírios de amor

Que a seu corpo confiei.

Fique tão somente com a foto amarelada de seu quarto

que retrata meu passado no curto passo de nossa estrada.

Seu mundo é um vai e vem de ondas que levam para o fundo do mar,

seus castelos de areia que a ninguém servem para abrigar.

Viva seu mundo de poeira vagante, que transforma seu pó ,

em barro secante, moldando seus valores mundanos

que tão bem se abrigam neste seu

coração mutante !






“ IGUAIS”


Quero-te por inteira !

E não pela metade.

Quero-te como cúmplice Acima de qualquer amizade.

Quero-te sem receios mundanos e ainda nos acharmos puros.

Que diferença existe além de nossa fuga em comum para sermos desiguais

se nossos olhos não piscam para outros olhares com nossos mesmos desejos?

. Quero-te atrevida e inconsequente. Indiferente...amante...demente ?

Quero-te pelo que realmente és,

Pelo que realmente sou...

Assim te quero, 


Pelo o que realmente somos !






RÉU POETA 


 Réu poeta não canta: assobia.

 Não dorme: repousa 

Não mente: ilude 

Não faça sexo: ama

 Não vinga : perdoa

 Não grita: sussurra 

Não trai: erra

 Não pensa: sonha

 Não soluça: chora

 Não olha: observa 

Não traduz : interpreta

 Não peca: descuida-se 

Não fala: declama

 Não se embriaga: fica alto 

Não morre: eterniza-se

 Réu poeta não se apaixona : ...simplesmente sofre !






 “CORAÇÕES"


Dois pequeninos corações

De tamanho exato ,do fechar de nossas mãos

Batem carinhosamente

No interior de nossos peitos.

Jorram em nossas veias e artérias

Os mesmos sentimentos de nossas almas !

Dois pequenos meninos

Que se ouvem de longe.

Cada qual em vigília permanente,

Para que nunca,.....de repente

Um outro coração displicente

Consiga abrir nossas duas pequeninas mãos !!!




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